Tateando
pelo escuro, procurava algo em que se apoiar. Tudo o que encontrara à sua volta
lhe parecia liso como musgo, escorregadio. Mas tinha firmeza nos pés.
As
ultimas noticias lhe agradaram. Tratavam de tempo bom, sol entre nuvens, pelo
menos. Então deveria ser algo bom. Mas tinha uma nuvem, uma mancha que não tardava
em aproximar-se que obscurecia (ou tentava) algumas boas noticias.
Manchas
escuras como petróleo, frias e secas, como uma noite no deserto. Percebia vermes
que vez ou outra tentavam alimentar-se de sua carne viva, e também percebia vez
ou outra que o ânimo para manter-se sobre seus pés lhe faltava. Sentia vozes
lhe chamando, mãos que lhe puxavam, mas como se tragada por um buraco, sentia
as pernas desfalecendo.
Tão
longe e tão perto, tantas pessoas ao seu redor e nenhuma ao mesmo tempo. Envolvida
em sua própria solidão, tecendo teias com suas lagrimas, sangrando o peito sem
sangrar, vertendo a dor de amar e odiar.
Deve
ter alguma coisa boa no escuro. Deve ter um feixe de luz, ou um cheiro de flor,
uma solidão necessária. Uma dor agradável, um sorriso triste, uma lagrima
descompassada. Só dá pra pensar em carne sendo rasgada, em peitos dilacerados e
caminhos destroçados. Em espinhos, cacos de vidro e pregos enferrujados.
E
meio que esperando uma surpresa imagina uma flor de seda no meio do pântano. E meio
que desistindo dela quase que a encontra, quando se dá conta de que não tem
forças para trazê-la junto a si.
Te disse que da solidão sai lindos escritos!!!
ResponderExcluirE a flor nós levamos para você.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirOs amigos são a flor que encontramos no meio do pântano, a flor de lotus que alivia a pesada paisagem do sofrimento que a vida traz, às vezes.
ResponderExcluir