Nesses dias de poeira cósmica, tudo parece bagunçado. A cabeça gira, as ideias piram. Sonhos confusos, de estrelas que procriam e luas cadentes. Um espaço-tempo sem fim entre a dor e o recomeço do flagelo.
Quantas noites hei de acordar lembrando o que não aconteceu na vã tentativa de descobrir o que será?
Quero uma vida normal, como a de qualquer pessoa fora do normal, porque a felicidade não se enquadra nos padrões.
Espero o bonde passar, puxado pelos mamutes que alimentei das minhas vísceras.
Seria a facilidade de caminhar sentindo as pedras no meio dos dedos e entre a carne fraca um desafio para alcançar o céu ou um atalho para o inferno?
Entre príncipes e princesas, escolho meu bruxo favorito para uma fantasia sádica.
Acendo as velas com os próprios dedos, afio a navalha na ponta da língua.
Uso meias coloridas e prefiro abandonar as roupas íntimas. Me entrego sem pensar, vou fundo no precipício aproveitando a brisa enquanto busco o chão.
Me curvo ante a plateia excitada, uivos prazerosos, medos enrustidos e desejos mornos.
Sobre minhas costas os porcos ciscam o resto do jantar de ontem (que mesmo comi?) e lambem minhas costas. De cada lambida um filete de groselha enche minha taça.
E nos devaneios, esquizofrenia desaguada, busco o desapego da realidade insólita.
Me acho nos labirintos da vida, me perdendo por ter medo de querer a saída.
... de onde vim e por onde andei, aceita o que te dou. Um muito e tudo é nada, algo além do que restou.
terça-feira, 11 de junho de 2013
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Porque nos teus olhos encontrei esperança
Esse brilho castanho que me faz sorrir.
Esse quê de dia nublado-quase-azulado.
Só não sei porque há o mar...
O mar da minha ansiedade
Agitado, destemperado
Que insiste em lançar ondas sobre meu sossego
Quieto, de canto, sozinho.
E tudo isso no teu olhar.
Castanho, desconfiado.
Olhar que me tens venerado.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
úlcera.
O vento, a alma.
Será o vento uma alma, a vida um sopro?
Corro, cara escancarada contra o vento
Rindo quando deveria chorar, pranteando meus risos.
Vivo nua, despudorada de mim mesma.
Sentindo a carne cortante das palavras não ditas
O ardido violeta das memórias mentidas
Como se fosse uma criança a cair em cada esquina
Levantando, só pra cair de novo.
Me equilibrando na ponta dos pés
À beira do precipício, kamikaze.
Paixão pura, fé cheia de medos.
Porque o medo não abandona quem tem vontade.
Punho levantado, passos firmes, e vacilantes.
Filme dos meus momentos errantes.
Pulsantes.
Vibrantes.
A suave pele que cortada sangra
O escarlate vivo do amor sentido.
Quantos dedos para apontar
O coração ferido.
Flutuando entre a esperança e a quase-vida
O vento me mantém
O sopro da vida.
O medo, o medo.
Um simples sopro para aliviar a úlcera.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Se....
Vou colocar muitos 'se' na minha vida.
Se eu soubesse voar, dormiria nas nuvens.
Se eu soubesse fazer chocolate, comeria com farinha.
Se eu soubesse construir pontes, faria milhares.
Se eu soubesse criar sonhos, teria aos montes.
Se eu soubesse rir sem motivos, seria uma louca risonha.
Se eu soubesse mergulhar, moraria com golfinhos.
Se eu soubesse fazer bolhas de sabão eternas, soltaria pela Terra.
Se eu soubesse cantar como uma cigarra, gritaria a noite toda.
Se eu soubesse lagarta, ia querer borboleta.
Se eu soubesse chorar sem dor, faria um filme.
Se eu soubesse o que sentir...
...bastará um olhar para me fazer sorrir.
Se eu soubesse voar, dormiria nas nuvens.
Se eu soubesse fazer chocolate, comeria com farinha.
Se eu soubesse construir pontes, faria milhares.
Se eu soubesse criar sonhos, teria aos montes.
Se eu soubesse rir sem motivos, seria uma louca risonha.
Se eu soubesse mergulhar, moraria com golfinhos.
Se eu soubesse fazer bolhas de sabão eternas, soltaria pela Terra.
Se eu soubesse cantar como uma cigarra, gritaria a noite toda.
Se eu soubesse lagarta, ia querer borboleta.
Se eu soubesse chorar sem dor, faria um filme.
Se eu soubesse o que sentir...
...bastará um olhar para me fazer sorrir.
sábado, 6 de abril de 2013
Goteira
Tem um vazamento que encanador nenhum dá jeito. Vaza de dentro pra fora, já chamei técnicos, engenheiros, doutores e outros especialistas, nenhum deles deu jeito nesse defeito.
É algo que persegue minhas instalações em tempos ocasionais. O grande caso é que essas goteiras intermitentes causam defeitos em outra peça, chamadas coração.
Parece-me que nele se instala uma rachadura que não há meios de se reparar. Tentei massa corrida e até cimento, direto, joguei em cima dela. Mas escorre, e até parece que a rachadura aumenta.
A consequência é que as complicações que se dão nesta pequena instalação por conta das goteiras intermitentes acabam causando mais danos.
As instalações de entrada de mantimentos iniciam greve. Já as operações de saída funcionam em demasia.
As instalações de fumaça funcionam a todo vapor.
O consumo de álcool combustível também se incrementa nesse período.
E tudo ocasionado por uma goteira. A origem da goteira?
Tudo começou quando abri uma porta em um dia chuvoso.
É algo que persegue minhas instalações em tempos ocasionais. O grande caso é que essas goteiras intermitentes causam defeitos em outra peça, chamadas coração.
Parece-me que nele se instala uma rachadura que não há meios de se reparar. Tentei massa corrida e até cimento, direto, joguei em cima dela. Mas escorre, e até parece que a rachadura aumenta.
A consequência é que as complicações que se dão nesta pequena instalação por conta das goteiras intermitentes acabam causando mais danos.
As instalações de entrada de mantimentos iniciam greve. Já as operações de saída funcionam em demasia.
As instalações de fumaça funcionam a todo vapor.
O consumo de álcool combustível também se incrementa nesse período.
E tudo ocasionado por uma goteira. A origem da goteira?
Tudo começou quando abri uma porta em um dia chuvoso.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Bethania
Sonhei que eu cantava 'não mexe comigo que eu não
ando só'.
À minha frente vai São Jorge com sua espada, São Gabriel, Santo Antônio
e São José
Cobrem minhas costas Santa Bárbara, Nossa Senhora da Conceição, Maria
menina e Nossa Senhora Aparecida.
Quando me levanto sou do tamanho do Universo
Desenho a Cassiopeia com meus sonhos
Se sofro é pelo menos
Porque guardo minha força para o mais.
Se me pega desprevenida
Ainda que por dias eu pranteie
Será por momento que passa
Porque me levanto destemida
Estou predestinada
Todos os santos me rodeiam
E minha fé me carrega quando caio
Estão ao meu lado todas as estrelas e luzes
Se de dias piores levantei
Para melhores eu caminho
Brinco com meus sonhos, faço samba de minhas frustrações
Das lágrimas que um dia fiz brotar
Do meu coração cachoeira
Faço um colar de pérolas
Para oferecer à Deusa do Mar.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Apaga.
-Se eu tocar a areia da praia e desenhar o sol, a água do mar apaga?
-Apaga.
-E se eu desenhar com giz de cera na areia da praia, a água do mar apaga?
-Apaga.
-Mas então o mar apaga porque não quer o sol, porque eu sonho com essa luz toda quando estou aqui. Se o mar fosse bom, não apagava o sol que desenho na areia da praia.
-O mar apaga para que carregando consigo o desenho nas águas, ele evapore e toque a face risonha do sol, mostrando a ele a inocência dos sonhos que foram traçados na areia.
-Apaga.
-E se eu desenhar com giz de cera na areia da praia, a água do mar apaga?
-Apaga.
-Mas então o mar apaga porque não quer o sol, porque eu sonho com essa luz toda quando estou aqui. Se o mar fosse bom, não apagava o sol que desenho na areia da praia.
-O mar apaga para que carregando consigo o desenho nas águas, ele evapore e toque a face risonha do sol, mostrando a ele a inocência dos sonhos que foram traçados na areia.
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