segunda-feira, 18 de junho de 2012

Quando o Irã censura uma história de amor.


“Olá Sara,
Eu realmente gosto dos seus tênis, aqueles com listras azuis. Seu belo jeito de andar adquire uma maravilhosa leveza quando você os usa. Dei a eles o nome de Shirin andando na água, e às vezes os chamo de Ofélia. Alguma coisa mudou na universidade para eles agora permitirem sapatos coloridos? Às vezes, quando eu a sigo na calçada, tento pisar em suas pegadas.”

Trecho do livro, título em epígrafe. De Shahriar Mandanipour.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

PM provoca tumulto e violência na UNIFESP Guarulhos

http://vimeo.com/44081562

Desembrulhar

Nem sabia ao certo qual cor queria. Não sabia se deveria escolher pela cor, ou pelo cheiro. Maçãs só podem ter gosto de maçãs. Teu beijo, esse não, vários gostos para cada momento.

Levantou-se. Era apenas um sonho, e de fato escolher maçãs não deve ter um significado tão profundo (se é que os sonhos carregam em si essa premonição). Estava tudo espalhado. As caixas, os livros, a cafeteira, única coisa que já havia desembalado. Um espelho pequeno sobre a mesinha de centro que colocou estrategicamente ao lado do colchão. Tudo em caixas, ou desmontado, sem representar sombra do que poderia ser.
Se sentia como a cômoda. Desmontada, sequer daria sinais do que poderia ser. Talvez os puxadores em formato de pequenas rosas brancas desse um leve sinal do que seria o móvel desmontado. Mas o que nela daria essa pista?
Os olhos. Os olhos são o espelho da alma. Alguém a havia dito que tudo o que ela sentia perpassava pelos olhos. Se olhou no pequeno espelho. Se todo sentimento perpassa pelos olhos, ele não será a melhor pista do que sou, então. Não pode ser. Coragem. é preciso uma boa dose de coragem. Desempacotar, desembrulhar e montar. Uma experiencia tão nova não podia ser desmotivadora. Haveria de achar o que há de maravilhoso nessa etapa.
Campainha.
- Oi! Estou surpresa com sua visita.
- Eu estava passando e pensei...
Todo o resto foi um dia em que empacotar e desembrulhar era apenas acessório. Percebeu que mesmo faltando um pedaço, o que sobra de nós nos faz completos em abstrato.
E porque não pensar que nos completa em substância?


quarta-feira, 13 de junho de 2012

Cotidiano.

Lá me vou, encarando a obscuridade dos dias, a mudança das estações e os sabores desse jogo de xadrez que se tornou a vida. Como um peão, me lanço à batalha tendo certeza do meu próprio abate. Me satisfaço com o forte sabor da cafeína e a fumaça escura da cidade. Observo como um ator, desempenho a função do figurante. Me afasto dos sons dessa quasevida que é a metrópole sob a falsa capa dos fones de ouvido. Ouço musicas que me fazem caminhar sem pensar. Ouço musicas que me fazem chorar, lembrar ou rir de graça.
Canto alto, ninguém me ouve ou entende. Continuo o dia sentada, escrevendo letra após letra daquilo que sintetiza o que penso sem que nada do que foi escrito fosse capaz de dizer algo sobre mim. Converso sem falar. Maldita internet.
Falo sem esperar resposta. Espero sem falar. Assuntos dos mais diversos são alvo do meu sarcasmo e da minha estupidez.
Ensaio uma fé que não sei se tenho. Passa a hora, sem que eu me lembre que precisava almoçar. E aquela reuniao? Aquele telefonema? Esquece. Nada vai adiantar agora.
Me fascinam os pássaros. As aves, de uma forma geral, fazem o que eu gostaria de fazer a vida inteira: voam. Mas talvez se eu voasse, talvez assim não tão remotamente, talvez eu não desse nenhuma importância pra isso.
Posso tomar um vinho essa noite. No quarto, meia luz. Na rua, luzes bruxuleantes de postes elétricos (seria isso possível?). Observo o movimento como um urubu a esperar o melhor momento de atacar a carniça. Como se estivesse acima disso tudo e ao mesmo tempo precisasse disso. Não preciso da desgraça alheia. Nem da alegria alheia. Nada fora de mim é capaz de me sustentar.

Voltei. Me deito com o sentimento de dever não cumprido para no dia seguinte levantar, novamente, com a sensação de caminhar sobre cacos de vidro. Sem sangrar.

Bigmouth strikes again


terça-feira, 12 de junho de 2012

Dia do santantonho o caraleo.



O amor de uma pessoa não pode se concentrar em um único ser. Não do tipo a maçã, mais do tipo melancia.
Mas que viagem do caralho.... bom, vou tentar desenvolver.
O que eu quero dizer é que hoje é um dia como qualquer outro e que de qualquer forma querem enfiar que quem ama dá presentes, e o pior, limitam esse amor a duas pessoas, um casal.
Quer saber? Vai todo mundo à merda.
Porque eu me amo e me dei um presente.
Porque amo minha mãe e não consigo, tudo o que eu faço penso nela.
Porque amo minhas irmãs.
Porque amo minhas amigas e meus amigos do coração.
Porque amo minha família.

E não é o Santantonho que vai me dizer o que fazer, a quem amar ou como fazer, PRINCIPALMENTE se ele vier travestido de VISA ou MASTERCARD, ou BOTICARIO, ou qualquer outra coisa estúpida e cretina que tem por ai.




segunda-feira, 11 de junho de 2012

11.06.2012


Esqueci o guarda chuva. Foi a primeira coisa que lembrei depois de me levantar para pegar café.
Eu o deixo pendurado ao lado da porta – imaginando que assim não o esqueceria. Chuvas e trovões. Me falta tempo para algumas leituras que aprecio. Ficção, fantasia, romances melados da Angélica na Ilha da Perdição. Qualquer bomba que me leve a milhas de distância ou me situe num universo paralelo.
- Um café, por favor.
- Açúcar?
- Sim.
- Açúcar mascavo?
- Não, pode ser o comum mesmo.
- Nota Fiscal paulista?
- Sim.
- Digite o CPF.
- Ok. Me vê um pão na chapa também.
- Chapado Vanessa! Mais alguma coisa?
- Não. Acho que não.
Sabe o que eu queria responder? Vocês vendem satisfação em frascos e guarda-chuvas?