Nem sabia ao certo qual cor queria. Não sabia se deveria escolher pela cor, ou pelo cheiro. Maçãs só podem ter gosto de maçãs. Teu beijo, esse não, vários gostos para cada momento.
Levantou-se. Era apenas um sonho, e de fato escolher maçãs não deve ter um significado tão profundo (se é que os sonhos carregam em si essa premonição). Estava tudo espalhado. As caixas, os livros, a cafeteira, única coisa que já havia desembalado. Um espelho pequeno sobre a mesinha de centro que colocou estrategicamente ao lado do colchão. Tudo em caixas, ou desmontado, sem representar sombra do que poderia ser.
Se sentia como a cômoda. Desmontada, sequer daria sinais do que poderia ser. Talvez os puxadores em formato de pequenas rosas brancas desse um leve sinal do que seria o móvel desmontado. Mas o que nela daria essa pista?
Os olhos. Os olhos são o espelho da alma. Alguém a havia dito que tudo o que ela sentia perpassava pelos olhos. Se olhou no pequeno espelho. Se todo sentimento perpassa pelos olhos, ele não será a melhor pista do que sou, então. Não pode ser. Coragem. é preciso uma boa dose de coragem. Desempacotar, desembrulhar e montar. Uma experiencia tão nova não podia ser desmotivadora. Haveria de achar o que há de maravilhoso nessa etapa.
Campainha.
- Oi! Estou surpresa com sua visita.
- Eu estava passando e pensei...
Todo o resto foi um dia em que empacotar e desembrulhar era apenas acessório. Percebeu que mesmo faltando um pedaço, o que sobra de nós nos faz completos em abstrato.
E porque não pensar que nos completa em substância?
... de onde vim e por onde andei, aceita o que te dou. Um muito e tudo é nada, algo além do que restou.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Cotidiano.
Lá me vou, encarando a obscuridade dos dias, a mudança das estações e os sabores desse jogo de xadrez que se tornou a vida. Como um peão, me lanço à batalha tendo certeza do meu próprio abate. Me satisfaço com o forte sabor da cafeína e a fumaça escura da cidade. Observo como um ator, desempenho a função do figurante. Me afasto dos sons dessa quasevida que é a metrópole sob a falsa capa dos fones de ouvido. Ouço musicas que me fazem caminhar sem pensar. Ouço musicas que me fazem chorar, lembrar ou rir de graça.
Canto alto, ninguém me ouve ou entende. Continuo o dia sentada, escrevendo letra após letra daquilo que sintetiza o que penso sem que nada do que foi escrito fosse capaz de dizer algo sobre mim. Converso sem falar. Maldita internet.
Falo sem esperar resposta. Espero sem falar. Assuntos dos mais diversos são alvo do meu sarcasmo e da minha estupidez.
Ensaio uma fé que não sei se tenho. Passa a hora, sem que eu me lembre que precisava almoçar. E aquela reuniao? Aquele telefonema? Esquece. Nada vai adiantar agora.
Me fascinam os pássaros. As aves, de uma forma geral, fazem o que eu gostaria de fazer a vida inteira: voam. Mas talvez se eu voasse, talvez assim não tão remotamente, talvez eu não desse nenhuma importância pra isso.
Posso tomar um vinho essa noite. No quarto, meia luz. Na rua, luzes bruxuleantes de postes elétricos (seria isso possível?). Observo o movimento como um urubu a esperar o melhor momento de atacar a carniça. Como se estivesse acima disso tudo e ao mesmo tempo precisasse disso. Não preciso da desgraça alheia. Nem da alegria alheia. Nada fora de mim é capaz de me sustentar.
Voltei. Me deito com o sentimento de dever não cumprido para no dia seguinte levantar, novamente, com a sensação de caminhar sobre cacos de vidro. Sem sangrar.
Canto alto, ninguém me ouve ou entende. Continuo o dia sentada, escrevendo letra após letra daquilo que sintetiza o que penso sem que nada do que foi escrito fosse capaz de dizer algo sobre mim. Converso sem falar. Maldita internet.
Falo sem esperar resposta. Espero sem falar. Assuntos dos mais diversos são alvo do meu sarcasmo e da minha estupidez.
Ensaio uma fé que não sei se tenho. Passa a hora, sem que eu me lembre que precisava almoçar. E aquela reuniao? Aquele telefonema? Esquece. Nada vai adiantar agora.
Me fascinam os pássaros. As aves, de uma forma geral, fazem o que eu gostaria de fazer a vida inteira: voam. Mas talvez se eu voasse, talvez assim não tão remotamente, talvez eu não desse nenhuma importância pra isso.
Posso tomar um vinho essa noite. No quarto, meia luz. Na rua, luzes bruxuleantes de postes elétricos (seria isso possível?). Observo o movimento como um urubu a esperar o melhor momento de atacar a carniça. Como se estivesse acima disso tudo e ao mesmo tempo precisasse disso. Não preciso da desgraça alheia. Nem da alegria alheia. Nada fora de mim é capaz de me sustentar.
Voltei. Me deito com o sentimento de dever não cumprido para no dia seguinte levantar, novamente, com a sensação de caminhar sobre cacos de vidro. Sem sangrar.
terça-feira, 12 de junho de 2012
Dia do santantonho o caraleo.
O amor de uma pessoa não pode se
concentrar em um único ser. Não do tipo a maçã, mais do tipo melancia.
Mas que viagem do caralho.... bom,
vou tentar desenvolver.
O que eu quero dizer é que hoje é um
dia como qualquer outro e que de qualquer forma querem enfiar que quem ama dá
presentes, e o pior, limitam esse amor a duas pessoas, um casal.
Quer saber? Vai todo mundo à merda.
Porque eu me amo e me dei um
presente.
Porque amo minha mãe e não consigo,
tudo o que eu faço penso nela.
Porque amo minhas irmãs.
Porque amo minhas amigas e meus
amigos do coração.
Porque amo minha família.
E não é o Santantonho que vai me
dizer o que fazer, a quem amar ou como fazer, PRINCIPALMENTE se ele vier
travestido de VISA ou MASTERCARD, ou BOTICARIO, ou qualquer outra coisa
estúpida e cretina que tem por ai.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
11.06.2012
Esqueci o guarda chuva. Foi a
primeira coisa que lembrei depois de me levantar para pegar café.
Eu o deixo pendurado ao lado da
porta – imaginando que assim não o esqueceria. Chuvas e trovões. Me falta tempo
para algumas leituras que aprecio. Ficção, fantasia, romances melados da
Angélica na Ilha da Perdição. Qualquer bomba que me leve a milhas de distância ou
me situe num universo paralelo.
- Um café, por favor.
- Açúcar?
- Sim.
- Açúcar mascavo?
- Não, pode ser o comum mesmo.
- Nota Fiscal paulista?
- Sim.
- Digite o CPF.
- Ok. Me vê um pão na chapa também.
- Chapado Vanessa! Mais alguma coisa?
- Não. Acho que não.
Sabe o que eu queria responder? Vocês vendem satisfação em
frascos e guarda-chuvas?
segunda-feira, 5 de março de 2012
"Selo de Qualidade"
Qual a medida da dignidade e caráter de alguém? E se limitarmos a analise à um gênero, que nomeamos por feminino, ou pessoas que chamamos mulher?
Recentemente ouvimos diversas afirmações de que não há preconceito na sociedade. Que em nosso país, homens e mulheres são tratados como iguais. A força de caráter de uma pessoa é valorada a partir da exposição de seus ideais e posturas com relação à sociedade e fatos sociais diversos em que signos como a bondade, a caridade e a honestidade se revelam com mais furor.
Prova de que as coisas mudaram em nosso pais seriam as leis, feitas para atender à uma sociedade patriarcalista. Não temos mais em nosso Código Penal o crime de defloramento, pelo menos. Mas até bem pouco tempo, tínhamos uma redação curiosa da lei (abaixo), em destaque para o artigo 215.
Posse sexual mediante fraude
Art. 215 Ter conjunção carnal com mulher honesta, mediante fraude,
Pena - reclusão, de um a três anos.
Parágrafo único - Se o crime é praticado contra mulher virgem, menor de 18 (dezoito) e maior de 14 (catorze) anos:
Pena - reclusão, de dois a seis anos.
Evoluimos a passos largos! Não precisamos mais nos preocupar especialmente com termos divulgados como mulher honesta, ou ainda pior, o crime só entrava no tipo quando era contra a mulher honesta... E mediante fraude. Posse sexual mediante fraude contra mulher honesta.
Entao compas, superamos isso? Digo-te que não. Essa lei foi alterada em 2005. Lei 11.106/2005. Não é uma lei que estava em vigor no século passado. Não é uma lei do Irã, ou do Afeganistao, onde as praticas de opressão às mulheres são escancaradas. É uma norma que vigorava no Brasil. E não tem ainda 10 anos de sua alteração. Qual o espanto?
Meu espanto é saber como a sociedade caminha a passos de formiga em rumo ao reconhecimento dos direitos humanos e dos direitos da mulher, nesse caso em especial. Conquistamos o direito de trabalhar, mas não de receber o mesmo salario. Conquistamos o direito de ter que demonstrar dez vezes mais competência para o exercício do mesmo cargo que um homem. Conquistamos o direito de ficar em pé nos ônibus e carregar nossas próprias bolsas, mas não o direito à educação daqueles homens que nos circundam.
Julgamos umas às outras em função da roupa. E o que diz sobre o caráter de uma pessoa o comprimento da saia que ela veste? É julgando aos demais que declaramos ser favoráveis à liberdade de todos? Respeito, dignidade, coragem, força, honestidade, são características subjetivas que não deveriam ser relacionadas à aspectos estéticos impostos pela sociedade. As índias andavam nuas, e quem seria capaz de dizer que não havia bondade (e também alguma maldade) no coração delas? Quem seria capaz de afirmar que eles não agiram com total inocência ao receber os portugueses (se é que a história que nos foi contada é verídica)?
O fato que podemos expor, e concluir de todos esses absurdos que recentemente estavam incólumes em nosso ordenamento jurídico é que a mulher ainda é tratada como mera mercadoria pela sociedade, que precisa de um “selo de qualidade” para comprovação de seu valor. Que a mulher, solteira e com filhos, sofre muito mais preconceito quando o campo é o dos relacionamentos, o que nem de perto afeta aos homens.
Que ser mulher e honesta estar relacionado a comportamentos sexuais não tem a mínima logica, bom, isso muitos vão admitir que sim. Mas quantas vezes mais iremos ouvir que aquela roupa é de piriguete ou que aquela menina é pra casar?
Quantas vezes iremos ouvir que a postura sexual de uma pessoa é elemento que define seu caráter?
Pode apontar muito sobre seus hábitos, não sobre seu caráter. Entre uma MULHER que tenha relações e outra que não as tenha há apenas uma diferença: uma experiencia. Engraçado que, na contramão dessas opiniões, quando um HOMEM tem relações intimas... quanto mais melhor! Quanto mais ele faz, mais homem ele é. A mulher? Taxada de vagabunda, piranha. O homem? O garanhão, o bonzão. E quantas mulheres repetem esse bordão, como a ausência de uma conjunção carnal fosse algum "selo de qualidade".
Sinceramente eu não entendo como vim parar nessa sociedade. Quem me dera ter nascido 100 anos para frente ou para trás.
Para frente porque eu realmente espero que todo esse conceito estúpido e machista que impera na terra brasilis acabe um dia.
Para trás porque muito pior que lidar com o preconceito é lidar com a hipocrisia.
domingo, 4 de março de 2012
Quem nunca...
Quem nunca
Amou como se fosse a última chance
Chorou como se fosse a última lágrima
Dançou como se fosse a última música
Cantou como se fosse a única voz
Pulou como se fosse um precipício
Voou como se pássaro fosse
Se entregou como se fosse a revolução
Acordou como se fosse um sonho bom
Caminhou como se fosse o destino
Ignorou como se não fosse um espinho
Quem nunca suspirou como se fosse a vida
Assoprou como se curasse a ferida
Levantou como se fosse um tropeço
Terminou quando era só o começo
Imaginou ser o herói do romance
Percebeu que era só figurante...
Amou como se fosse a última chance
Chorou como se fosse a última lágrima
Dançou como se fosse a última música
Cantou como se fosse a única voz
Pulou como se fosse um precipício
Voou como se pássaro fosse
Se entregou como se fosse a revolução
Acordou como se fosse um sonho bom
Caminhou como se fosse o destino
Ignorou como se não fosse um espinho
Quem nunca suspirou como se fosse a vida
Assoprou como se curasse a ferida
Levantou como se fosse um tropeço
Terminou quando era só o começo
Imaginou ser o herói do romance
Percebeu que era só figurante...
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