terça-feira, 16 de outubro de 2012

Leituras.


Será possível no pântano elevar-se pelo perfume da mais fina flor de lótus?
A esperança dos tolos é a luz que nos eleva
O mais puro sentimento se renova como raios de sol
De historias de guerras extraímos a esperança de belos frutos, de nobres sentimentos que elevam nossas almas. Mas o romantismo se esvai na batalha do dia-a-dia, ofuscado pelo egoísmo e sufocado pela frivolidade que toma nossos pensamentos.
Até quando não nos permitiremos conduzir pela pura esperança de algo melhor, esperando apenas pelo pior, vivendo num mundo paralelo onde nossos sonhos não encontram alicerce?
Quem me dera fossem as sensações mais afáveis o único ar a sustentar este peito doido, desiludido. Quem me dera não fossem apenas passagens fumegantes aquelas que nos enchem de alegria e lagrimas de felicidade.
A simplicidade das comedias ou a certeza das grandes aventuras me levam a crer que apenas nas terras dos elfos encontro alento para meu partido coração.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Sabbath bloody sabbath



E hoje vertes o sangue dos inocentes, mastigando as tripas das crianças, saboreando as lagrimas dos anciãos, sorrindo de forma sincera e rubra.
Nas tuas vestes, puro ouro, galopas em corcéis imponentes, trazes ao pescoço os mais raros diamantes.
Vocifera ódio, dilapida esperanças como quem quebra cascas de ovos.
Fácil. Mantém-se  no poder pela promessa falsa da felicidade. Os torrões de açúcar no topo da montanha.
Expõe em nossa face a futilidade de tuas conquistas como se justo fora o que te ocorreu. Matas bezerros e crias dragões.
Milhares morrem e continuarão morrendo para manter a injustiça.
E a noiva vem, exalando a volúpia de todos os amores que não puderam acontecer.
Banhada no sangue dos que não souberam amar, carregando as cabeças dos amores pueris.
E o espetáculo do mundo se abre, não com uma cortina, mas com um por do sol que não mais se extinguirá.
A noite derradeira, a noite da qual não mais acordaremos.
O hoje, o agora e o depois, quando acabarmos de matar nossa parca esperança, somente porque desistimos de lutar, inebriados pelo espetáculo sórdido da morte de todos nós.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Lacrimosa.


Fim dos tempos dentro de mim.



Espera. Quero te alcançar antes que chegue o fim.
O fim dos tempos, ou o tempo final, como queira.
Criei uma figura só pra mim.
Parecida com alguma coisa que conheço, mas desfigurada, de começo.
Olhos grandes e negros, mãos firmes, sentimentos pesados.
Quase um desassossego, um bicho acanhado.
Vez ou outra ele urra. Me assusta.
Vez ou outra ele dorme e eu sinto uma coisa aqui dentro que não sei dizer o que é.
Está dentro de mim, eu sei.
Não, não é papo de louco (ou seria? quem ousa?)...
Mas tudo tem um tempo, e esses olhos grandes sobre mim.
Fosse a fé o único esteio eu não teria receio.
Quem sabe antes do fim.
Quem sabe seria um sim?

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Vazamentos anormais.

Que em todo corte vaza um pouco de mim, eu sei.
E que tem vazado tanto que acho que estou com goteira.
Vaza de enxurrada, nao vaza mais de corta-pingo como antes.
Parece que o sangue virou areia, daquela bem fininha que o vento carrega.
E de maldade só, porque o vento nem há de fazer nada com a areia.
Eu podia usar com cimento e pedrinhas pra construir uma caixa onde me esconder.
Que toda vez que eu corto vaza um pouco de mim.
Eu nem sei porque eu sou assim...

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Pontos reticentes

Ao viciado, a bebida. À bebida, o vício.
E ao vício a cólera.
À cólera, teus olhos, rasgados, estraçalhados.
Aos frangalhos, a mentira mais deslavada.
À mentira, a navalha, a navalha.
Na carne viva e ensanguentada
Dessa sociedade descarada.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Tatuagem.

Quero gritar alegrias
E amar o amor
Sem anestesia
Só poesia e calor

Um sentimento abstrato
Sem nome ou formato
Que me tome de assalto
Me faça morrer em teus lábios

Não venha suavemente
Não suspire doçuras
Inspira-me abruptamente
Me faça cometer loucuras

Seja a carne e o espírito
O sussurro e o grito
Um sentimento profano
Insano e santo.