Tem um vazamento que encanador nenhum dá jeito. Vaza de dentro pra fora, já chamei técnicos, engenheiros, doutores e outros especialistas, nenhum deles deu jeito nesse defeito.
É algo que persegue minhas instalações em tempos ocasionais. O grande caso é que essas goteiras intermitentes causam defeitos em outra peça, chamadas coração.
Parece-me que nele se instala uma rachadura que não há meios de se reparar. Tentei massa corrida e até cimento, direto, joguei em cima dela. Mas escorre, e até parece que a rachadura aumenta.
A consequência é que as complicações que se dão nesta pequena instalação por conta das goteiras intermitentes acabam causando mais danos.
As instalações de entrada de mantimentos iniciam greve. Já as operações de saída funcionam em demasia.
As instalações de fumaça funcionam a todo vapor.
O consumo de álcool combustível também se incrementa nesse período.
E tudo ocasionado por uma goteira. A origem da goteira?
Tudo começou quando abri uma porta em um dia chuvoso.
... de onde vim e por onde andei, aceita o que te dou. Um muito e tudo é nada, algo além do que restou.
sábado, 6 de abril de 2013
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Bethania
Sonhei que eu cantava 'não mexe comigo que eu não
ando só'.
À minha frente vai São Jorge com sua espada, São Gabriel, Santo Antônio
e São José
Cobrem minhas costas Santa Bárbara, Nossa Senhora da Conceição, Maria
menina e Nossa Senhora Aparecida.
Quando me levanto sou do tamanho do Universo
Desenho a Cassiopeia com meus sonhos
Se sofro é pelo menos
Porque guardo minha força para o mais.
Se me pega desprevenida
Ainda que por dias eu pranteie
Será por momento que passa
Porque me levanto destemida
Estou predestinada
Todos os santos me rodeiam
E minha fé me carrega quando caio
Estão ao meu lado todas as estrelas e luzes
Se de dias piores levantei
Para melhores eu caminho
Brinco com meus sonhos, faço samba de minhas frustrações
Das lágrimas que um dia fiz brotar
Do meu coração cachoeira
Faço um colar de pérolas
Para oferecer à Deusa do Mar.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Apaga.
-Se eu tocar a areia da praia e desenhar o sol, a água do mar apaga?
-Apaga.
-E se eu desenhar com giz de cera na areia da praia, a água do mar apaga?
-Apaga.
-Mas então o mar apaga porque não quer o sol, porque eu sonho com essa luz toda quando estou aqui. Se o mar fosse bom, não apagava o sol que desenho na areia da praia.
-O mar apaga para que carregando consigo o desenho nas águas, ele evapore e toque a face risonha do sol, mostrando a ele a inocência dos sonhos que foram traçados na areia.
-Apaga.
-E se eu desenhar com giz de cera na areia da praia, a água do mar apaga?
-Apaga.
-Mas então o mar apaga porque não quer o sol, porque eu sonho com essa luz toda quando estou aqui. Se o mar fosse bom, não apagava o sol que desenho na areia da praia.
-O mar apaga para que carregando consigo o desenho nas águas, ele evapore e toque a face risonha do sol, mostrando a ele a inocência dos sonhos que foram traçados na areia.
quarta-feira, 13 de março de 2013
Coelhos brancos
Alice corria atrás de um Coelho branco. Às vezes corro. Corro porque estou atrasada nem sei pra que, mas estou. Sempre correndo sem chegar a lugar nenhum, como algumas coisas que me fazem crescer e outras que me diminuem. Me alimento de palavras.
Me alimento daquilo que me dizem. Me alimento de palavras de carinho e de amor, assim como me alimento de palavras de desamor. Vou usar o termo desamor, porque desamor não é tão pesado, se podemos dizer assim. Desamor. Des amor, de amor, amor. Poderíamos pensar que todas as palavras deveriam ser assim, decompostas antes da digestão.
Não decompomos as palavras e acabamos por engolir sem aviso. Aliás, além de não efetuarmos a decomposição para uma adequada digestão, não a decodificamos da maneira correta.
Deselegante des elegante de elegante elegante, dissabor dis sabor sabor...Seria mais ou menos como tirar ossinhos de frango para comermos só a carne macia e suculenta.
Mas a quem eu quero enganar?
Passamos um bom tempo de nossas vidas, no aspecto material, aprendendo a comer desta ou daquela maneira, porque assim faz bem ou faz mal. Porque é ou não é adequado comer os ossos, ou retirar a pele, ou a carcaça, ou a comer o que dá, quando dá, se dá.
Mas não se dá o mesmo com as palavras. Falamos merda, feio, porra, caralho, xingamos a rodo, desqualificamos. Não porque somos ruins, porque somos assim. Somos um grande saco de merda prestes a explodir. A humanidade é um grande saco de merda.
E daí que você está atrás do Coelho branco? E daí que está atrasado? E daí que te xingaram? A grande merda do mundo é isso aí. Você vai xingar de volta, você vai lutar pelo que acredita, e vai continuar correndo, crescendo, diminuindo às vezes. Sem chegar a lugar nenhum, alcançando um ou outro posto.
Engolindo ou cuspindo, tanto faz. Serão Coelhos Brancos e você, atrás deles, pensando ainda que está atrasado. Viva a porra da vida sendo o que você é sem medo de ser feliz. Sem preconceitos.
Sabe porque as palavras te machucam? Porque damos importância aos outros antes de pensar no nosso próprio ego. Seriam os psicopatas exemplos de felicidade?
Eu quero que esta merda se foda.
Não vou atrás dos coelhos. Vou enlouquecer com a lagarta.
Me alimento daquilo que me dizem. Me alimento de palavras de carinho e de amor, assim como me alimento de palavras de desamor. Vou usar o termo desamor, porque desamor não é tão pesado, se podemos dizer assim. Desamor. Des amor, de amor, amor. Poderíamos pensar que todas as palavras deveriam ser assim, decompostas antes da digestão.
Não decompomos as palavras e acabamos por engolir sem aviso. Aliás, além de não efetuarmos a decomposição para uma adequada digestão, não a decodificamos da maneira correta.
Deselegante des elegante de elegante elegante, dissabor dis sabor sabor...Seria mais ou menos como tirar ossinhos de frango para comermos só a carne macia e suculenta.
Mas a quem eu quero enganar?
Passamos um bom tempo de nossas vidas, no aspecto material, aprendendo a comer desta ou daquela maneira, porque assim faz bem ou faz mal. Porque é ou não é adequado comer os ossos, ou retirar a pele, ou a carcaça, ou a comer o que dá, quando dá, se dá.
Mas não se dá o mesmo com as palavras. Falamos merda, feio, porra, caralho, xingamos a rodo, desqualificamos. Não porque somos ruins, porque somos assim. Somos um grande saco de merda prestes a explodir. A humanidade é um grande saco de merda.
E daí que você está atrás do Coelho branco? E daí que está atrasado? E daí que te xingaram? A grande merda do mundo é isso aí. Você vai xingar de volta, você vai lutar pelo que acredita, e vai continuar correndo, crescendo, diminuindo às vezes. Sem chegar a lugar nenhum, alcançando um ou outro posto.
Engolindo ou cuspindo, tanto faz. Serão Coelhos Brancos e você, atrás deles, pensando ainda que está atrasado. Viva a porra da vida sendo o que você é sem medo de ser feliz. Sem preconceitos.
Sabe porque as palavras te machucam? Porque damos importância aos outros antes de pensar no nosso próprio ego. Seriam os psicopatas exemplos de felicidade?
Eu quero que esta merda se foda.
Não vou atrás dos coelhos. Vou enlouquecer com a lagarta.
domingo, 10 de março de 2013
08.03.13
Quando penso no que sou
Pouco me agrada ou completa
A maior parte disso tudo é sonho.
Pó estelar
Desafios incalculáveis
E asas de borboleta.
A maior parte disso tudo sequer sou eu
Sequer serei eu
Mas no meu imaginário
Sou tudo o que posso ser
Mais aquilo que me nego a crer.
terça-feira, 5 de março de 2013
Que todo sentimento contrário exista.
Que todo sentimento contrário exista.
Ela passeava, como num dia qualquer. Ele também.
As bolsas, os livros, a vontade de mundo, tudo isso ela trazia a tiracolo.
Ele caminhava com desejos só dele, um braço enorme de abraçar o universo e umas mãos boas de carinho.
Caminhavam neste mundo, separados pelo destino, unidos pelo universo, numa valsa vai-e-vem interminável. Ela entrava no coletivo, ele acabava de descer. Ela pedia pra viagem, ele queria comer no restaurante, sem pressa. Ela pedia passagem, ele nem levantava a cabeça.
E iam assim mesmo, sem caso ou descaso, somente ali, no mesmo espaço, sem conhecerem-se. O mesmo trajeto, os mesmos lugares, e nunca foi tão fácil estar perto-longe.
Ela passeava como num dia qualquer. Ele também.
Quando de repente, assim, sem avisar, um ônibus passou pela cabeça dela.
E aquela história de viva como se não houvesse amanhã doeu no peito dele.
Ela passeava, como num dia qualquer. Ele também.
As bolsas, os livros, a vontade de mundo, tudo isso ela trazia a tiracolo.
Ele caminhava com desejos só dele, um braço enorme de abraçar o universo e umas mãos boas de carinho.
Caminhavam neste mundo, separados pelo destino, unidos pelo universo, numa valsa vai-e-vem interminável. Ela entrava no coletivo, ele acabava de descer. Ela pedia pra viagem, ele queria comer no restaurante, sem pressa. Ela pedia passagem, ele nem levantava a cabeça.
E iam assim mesmo, sem caso ou descaso, somente ali, no mesmo espaço, sem conhecerem-se. O mesmo trajeto, os mesmos lugares, e nunca foi tão fácil estar perto-longe.
Ela passeava como num dia qualquer. Ele também.
Quando de repente, assim, sem avisar, um ônibus passou pela cabeça dela.
E aquela história de viva como se não houvesse amanhã doeu no peito dele.
sábado, 2 de março de 2013
Estrela
Permita-me uma analogia injusta
De um ponto de vista singular
Daqui vejo as estrelas
Embora elas não me vejam
Sinto o brilho bailar em meus olhos
E a escuridão se propagar
Então parece
Que o que se ofusca à minha frente
É menor que a luz que me guia.
É um olhar só meu
Dos olhos teus.
De um ponto de vista singular
Daqui vejo as estrelas
Embora elas não me vejam
Sinto o brilho bailar em meus olhos
E a escuridão se propagar
Então parece
Que o que se ofusca à minha frente
É menor que a luz que me guia.
É um olhar só meu
Dos olhos teus.
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