... de onde vim e por onde andei, aceita o que te dou. Um muito e tudo é nada, algo além do que restou.
sábado, 3 de novembro de 2012
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Se...
Se tivesse que dizer algo inusitado, diria que te amo. Diria
que te amo por um segundo, não um século, pois temos muito amor e muitos amores
pra viver, e a vida, enfim, é uma só.
No outro segundo diria que te odeio, e se transformando seu
rosto em outro, diria que te amo novamente. Mas não seria o novamente, porque você
já seria o outro que em um momento odiei e passo agora a amar.
E seria assim, sem pressa, um circulo em que todos os dias
eu conhecesse e a um pedaço de ti, que me fizesse render. Como um peixe que
desiste de se debater à rede, como o animal que cede ao abate, me faria morta
para viver nos teus braços.
E todos os dias no amor-ódio-amor admirar as mascaras
que a vida nos coloca, assim, de mansinho, como quem não quer nada.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Fruta
Toda fruta merece ser chupada. E é do profundo de teus
sulcos que a natureza revela sua doçura e o arrebatamento do teu amargor. Pois
nem só de doces se vive o sentimento, pois não?
Há que ter um bocadinho amargo à boca, para saudardes bem a
presença de toda a doçura que há. E melhor é que se inicie amargo, para dar ao
paladar o alivio de tua presença doce.
Se assim não o for, a amargura que fica tarda a ser
esquecida, finca-se como tatuagem não apenas na língua, mas na própria alma. E
nos molda de forma irremediável.
Mas eis que a doçura também nos faz alguma coisa. Todos os
sabores, ora aqui, ora acolá, dão uma pequena batidinha nos flancos de si e
formam curvas, retas, desníveis que nos moldam. Há vezes em que rimos, outras em que choramos, mas, no
final, todas as historias dão um bom acabamento no que somos.
Cada um sabe a dor e a beleza de ser o que é, não?
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Leituras.
Será possível no pântano elevar-se
pelo perfume da mais fina flor de lótus?
A esperança dos tolos é a luz que
nos eleva
O mais puro sentimento se renova
como raios de sol
De historias de guerras extraímos
a esperança de belos frutos, de nobres sentimentos que elevam nossas almas. Mas
o romantismo se esvai na batalha do dia-a-dia, ofuscado pelo egoísmo e sufocado
pela frivolidade que toma nossos pensamentos.
Até quando não nos permitiremos conduzir
pela pura esperança de algo melhor, esperando apenas pelo pior, vivendo num
mundo paralelo onde nossos sonhos não encontram alicerce?
Quem me dera fossem as sensações
mais afáveis o único ar a sustentar este peito doido, desiludido. Quem me dera não
fossem apenas passagens fumegantes aquelas que nos enchem de alegria e lagrimas
de felicidade.
A simplicidade das comedias ou a
certeza das grandes aventuras me levam a crer que apenas nas terras dos elfos
encontro alento para meu partido coração.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Sabbath bloody sabbath
E hoje vertes o sangue dos
inocentes, mastigando as tripas das crianças, saboreando as lagrimas dos anciãos,
sorrindo de forma sincera e rubra.
Nas tuas vestes, puro ouro, galopas
em corcéis imponentes, trazes ao pescoço os mais raros diamantes.
Vocifera ódio, dilapida esperanças
como quem quebra cascas de ovos.
Fácil. Mantém-se no poder pela promessa falsa da felicidade. Os
torrões de açúcar no topo da montanha.
Expõe em nossa face a futilidade de
tuas conquistas como se justo fora o que te ocorreu. Matas bezerros e crias dragões.
Milhares morrem e continuarão morrendo
para manter a injustiça.
E a noiva vem, exalando a volúpia de
todos os amores que não puderam acontecer.
Banhada no sangue dos que não souberam
amar, carregando as cabeças dos amores pueris.
E o espetáculo do mundo se abre, não
com uma cortina, mas com um por do sol que não mais se extinguirá.
A noite derradeira, a noite da qual não
mais acordaremos.
O hoje, o agora e o depois, quando acabarmos
de matar nossa parca esperança, somente porque desistimos de lutar, inebriados
pelo espetáculo sórdido da morte de todos nós.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Fim dos tempos dentro de mim.
Espera. Quero te alcançar antes que chegue o fim.
O fim dos tempos, ou o tempo final, como queira.
Criei uma figura só pra mim.
Parecida com alguma coisa que conheço, mas desfigurada, de
começo.
Olhos grandes e negros, mãos firmes, sentimentos pesados.
Quase um desassossego, um bicho acanhado.
Vez ou outra ele urra. Me assusta.
Vez ou outra ele dorme e eu sinto uma coisa aqui dentro que não
sei dizer o que é.
Está dentro de mim, eu sei.
Não, não é papo de louco (ou seria? quem ousa?)...
Mas tudo tem um tempo, e esses olhos grandes sobre mim.
Fosse a fé o único esteio eu não teria receio.
Quem sabe antes do fim.
Quem sabe seria um sim?
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